O milagre chamado Lula


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita serviços especializados e unidades móveis de saúde no Rio de Janeiro - CRÉDITO: RICARDO STUCKERT

Lula, como homem, nordestino e líder político, representa a rara simbiose entre a simplicidade da vida de um brasileiro comum e a grandeza do mais extraordinário dos brasileiros.


De repente, me ponho a ouvir uma entrevista do Lula, em que ele relata sua trajetória, que a gente já conhece. Eu participei de todas as caravanas pelo Brasil, começando pela mais linda, a do Nordeste. Usei as maravilhosas fotos do grande fotógrafo Ricardo Stuckert, das relações de amor do Lula e do povo do Nordeste, para organizar um livro – A Caravana da Esperança.

Andei com o Lula 93 mil quilômetros nas caravanas por todo o Brasil. Eu o acompanhei e conheci o Brasil nas caravanas do Lula.

Viajávamos muito, e ele ia contando suas experiências de vida, com a maior naturalidade. Contava essas coisas extraordinárias que ele viveu.

E, em cada lugar que parávamos, era aquela apoteose do encontro dele com o povo, pelo país afora. O caso de amor correspondido entre o Lula e o povo do Nordeste.

Foi assim que eu fui aprendendo quem era o Lula, como pessoa, como nordestino, como líder político. Fui conhecendo essa simbiose entre a simplicidade da vida de um brasileiro típico e o mais extraordinário de todos os brasileiros.

Eu já era petista. O Luiz Eduardo Greenhalgh tinha me contado, quando eu ainda estava em Cuba, no longo exílio de 13 anos, que havia um novo grande líder sindical e político e um novo partido, o Partido dos Trabalhadores.

Assim que cheguei de volta, o Caio Graco, filho do Caio Prado Jr., da Editora e da Livraria Brasiliense, me deu uma ficha de membro do PT, que eu preenchi e lhe devolvi. Foi assim que formalizei minha entrada no PT.

Aí logo me procuraram para eu entrar para a tendência majoritária, a do Zé Dirceu. Eu preferi não entrar em uma tendência, que seria ser fiel a quem tinha mandato de governador ou outro cargo e ter que defendê-lo por essa razão. Sempre me defini como petista e como lulista, o que continuo a ser até hoje.

Publiquei muitos livros, mais de setenta. Entre tantos, Lula e a esquerda do século XXI é um dos que eu mais gosto. Não me considero um intelectual, apesar de ter sido professor de Filosofia e de Sociologia da USP, onde me aposentei, e, depois, da Uerj, no Rio.

Considero-me um militante político e, como todo militante político marxista, tenho que ser, ao mesmo tempo, um intelectual, no sentido gramsciano, aquele que milita e que trata de refletir ao mesmo tempo.

É nessa condição que militei desde os 15 anos, quando triunfou a Revolução Cubana. Via as fotos daqueles barbudos que tinham derrubado um ditador na América Central, já que, naquela época, não havia ainda, para nós, o Caribe. Entre os barbudos, posando como se fossem um time de futebol, estavam Fidel, Che, Camilo e Raúl, entre os que tinham desembarcado na Sierra Maestra e daí tomado o poder e feito o socialismo – que até então era um fenômeno asiático, da Rússia, da China, de Lênin, de Trotsky, de Mao – chegar à América Latina.

Tudo isso para voltar ao Lula, aquele nordestino simples, que tinha perdido um dedo trabalhando numa máquina de uma fábrica do ABC. Mas que nunca perdeu a dignidade, como lhe ensinou Dona Lindu, a pessoa que mais influenciou o mais importante dos brasileiros.

"A leitura ilumina o espírito".

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