
Apreensões da Polícia Federal (Foto: PF/Divulgação)
Operação apura contratos de fornecimento de insumos médicos e atinge gestores municipais e empresários em diversas cidades do estado
Uma operação da Polícia Federal colocou seis prefeituras do Rio Grande do Norte no centro de uma investigação que apura suspeitas de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. Entre os alvos estão prefeitos, vice-prefeito, secretários municipais e empresários ligados a distribuidoras de medicamentos, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes municípios do estado, informa o G1.
De acordo com a Polícia Federal, a apuração tem como base auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram falhas na execução de contratos firmados com empresas sediadas no Rio Grande do Norte e que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Os documentos apontam indícios de compra de materiais não entregues, fornecimento inadequado de insumos e possível sobrepreço nos produtos.
Entre os alvos da operação está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), além do vice-prefeito do município, Marcos Medeiros (PSD). Também foram cumpridos mandados contra o prefeito de São Miguel, Leandro do Rêgo Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), secretários municipais de José da Penha e na residência do irmão do prefeito de São Miguel.
As diligências ocorreram em Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Durante a operação, a PF confirmou a apreensão de dinheiro na casa de um dos sócios de uma empresa investigada, embora o valor não tenha sido divulgado. Um empresário de Serra do Mel também foi conduzido em flagrante à Polícia Civil por posse ilegal de arma de fogo. Segundo apuração da TV Globo, a Justiça determinou medidas cautelares contra empresários investigados, como pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica.
Mossoró
A defesa do prefeito Allyson Bezerra afirmou que a investigação trata de fatos ocorridos em diferentes entes municipais e que “não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró”. Nas redes sociais, o prefeito informou que teve celular, notebook e HDs apreendidos durante a ação.
Segundo a defesa, o mandado foi autorizado com base em diálogos envolvendo terceiros e decorre de decisão judicial em fase investigativa, “sem qualquer juízo de culpa”. A nota também destaca que, em 2023, o prefeito adotou medidas para ampliar a transparência na compra e gestão de medicamentos. “Desde o primeiro momento, o prefeito colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas, em respeito às instituições e à legalidade, convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta”, diz o comunicado.
José da Penha
A Prefeitura de José da Penha classificou a investigação como um procedimento “comum” e afirmou que, diante de irregularidades em um contrato público, todos os demais contratos firmados com a empresa passam a ser analisados, “independentemente de dolo ou culpa por parte dos municípios”.
O município confirmou que manteve contratos com a empresa investigada entre 2023 e 2025, “dentro da legalidade” e sem “nenhum ilícito”. A PF cumpriu mandados de busca nas casas das secretárias de Planejamento, Ana Jarvis de Souza, e de Saúde, Thaciane Maria Ferreira de Souza, além do pregoeiro municipal, Fabiano Ferreira Alves. Segundo a prefeitura, apenas aparelhos celulares foram apreendidos. A gestão informou ainda que vai encaminhar todos os contratos à PF no prazo de 30 horas.
São Miguel
O prefeito de São Miguel, Leandro do Rêgo Lima, afirmou que recebeu representantes da Polícia Federal e da CGU “para colaborar com uma investigação que apura contratos de empresas de saúde em diversos municípios do Rio Grande do Norte”.
“Faço questão de esclarecer à população de São Miguel que as investigações são direcionadas às empresas investigadas, recaindo sobre vínculos firmados com o município ainda na gestão anterior, abrangendo o período de 2023, 2024 e 2025. Ressalto que são contratos estabelecidos e assinados inteiramente na gestão anterior à minha, sem relação com atos da minha gestão atual”, declarou. O prefeito disse ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as apurações.
Paraú
Em nota, o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo, afirmou que a operação não tem como foco sua gestão, mas supostas irregularidades envolvendo uma empresa fornecedora de insumos hospitalares. “Esclareço que no nosso município a empresa foi regularmente contratada, seguindo todos os procedimentos previstos na Lei. Tenho a consciência tranquila e absoluta convicção de que inexiste qualquer irregularidade nas contratações realizadas por nossa gestão”, disse.
O prefeito acrescentou que nada foi encontrado ou apreendido em sua residência. “Reafirmo minha confiança na Justiça e coloco-me inteiramente à disposição para colaborar com as investigações. Já determinei que sejam providenciadas cópias de todos os documentos relacionados à licitação e aos pagamentos, para imediato encaminhamento aos órgãos competentes”, afirmou.
Serra do Mel e Tibau
A Prefeitura de Serra do Mel informou que não houve cumprimento de mandados em órgãos municipais e que as diligências ocorreram sem prejuízo aos serviços públicos. A administração destacou o compromisso com a transparência e a legalidade, afirmando que segue à disposição dos órgãos de controle e acompanhará os desdobramentos “com responsabilidade, serenidade e respeito às instituições”.
Já a Prefeitura de Tibau não havia se manifestado sobre a investigação até a última atualização das informações.
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